A sociedade paraense se mobiliza em defesa do jornalista Lúcio Flávio Pinto, condenado pela Justiça pelas denúncias feitas em seu Jornal Pessoal que contrariam a elite econômica e política do Estado do Pará. No site somostodoslucioflavio.wordpress.com a jornalista Ruth Rendeiro dá um tocante depoimento de como conviveu com Lúcio, de sua integridade e de sua firmeza de caráter e opinião.
Eu tive o privilégio de ter Lúcio como professor no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pará, o que considero realmente ter sido uma grande sorte e uma oportunidade indescritível.
Não somente por tudo o que Lúcio representa para o jornalismo, mas principalmente pela oportunidade de ver o quão humano ele é.
Partiu dele a ideia do documentário "Quarenta anos de Esquecimento" realizado com Lucilena Andrade, Maria Lúcia Moraes e Cid Oliveira, que nos absorveu completamente na conclusão de nosso curso de graduação. Imersos no universo do poeta Paulo Plínio Abreu, tivemos momentos de reflexão sobre tantos amazônidas que "caem no esquecimento".
Em outros momentos, já no exercício do jornalismo, tive a oportunidade de ver a atuação de Lúcio e de saber que ali estava um grande mestre para todo e qualquer ser que quisesse aventurar-se pelo jornalismo.
Ouvi-lo contar suas histórias, ou simplesmente cruzar com ele pelas ruas de Belém e receber o sempre franco cumprimento e sorriso, ou ler seus textos carregados de esmero no savoir-faire de poucos que enveredam no métier sempre foi gratificante.
A iniciativa de apoio a Lúcio deve ser mais que valorizada, pois é a validação de tudo o que Lúcio representa. Sua luta é digna, é justa. Sua voz não pode ser calada.
Lúcio defende com propriedade a Amazônia e não podemos deixar sua voz calar-se diante de tudo o que denuncia quando tantos preferem não falar.
Vida longa a Lúcio e a todos aqueles que acreditam na liberdade de expressão.
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012
Terça-feira, Janeiro 03, 2012
Opinião da minoria como "opinião pública"?

O sociólogo Pierre Bourdieu, em um curso dado no Collège de France* en 1990 explica como o discurso de uma minoria se transforma em "opinião pública". O texto foi publicado em janeiro de 2012 na edição nº694 do jornal Le Monde Diplomatique. Segue um resumo traduzido do texto integral.
"Um homem oficial é um ventríloco que fala em nome do Estado: ele toma uma postura oficial - deveria-se descrever a 'mise en scène' oficial - , ele fala em favor e no lugar do grupo ao qual ele se dirige, ele fala para e no lugar de todos, ele fala como representante do universal".
Chegamos à noção moderna de opinião pública. O que é essa opinião pública que invoca os criadores de direito das sociedades modernas, das sociedades nas quais o direito existe? É tacitamente a opinião de todos, da maioria ou daqueles que contam, aqueles que são dignos de ter uma opinião. Eu penso que a definição patente numa sociedade que pretende ser democrática, sabendo que a opinião oficial é a opinião de todos, esconde uma definição latente, ou seja, a opinião pública é a opinião daqueles que são dignos de ter uma opinião. Há um tipo de definição censiária da opinião pública como opinião esclarecida, como opinião digna deste nome.
A lógica das comissões oficiais é de criar un grupo que constitui todos os signos exteriores socialmente reconhecidos e reconhecíveis, a capacidade de expressar a opinião digna de ser exposta, e tudo conforme as normas. Um dos critérios tácitos mais importantes na seleção dos membros da comissão, en particular de seu presidente, é a intuição que os responsáveis da composição da comissão têm de que a pessoa em questão conhece as regras do universo burocrático e as reconhece: dito de uma outra forma, qualquer um que sabe jogar o jogo da comissão de maneira legítima, aquela que vai além das regras do jogo, que legitima o jogo; não se está jamais tanto dentro do jogo quando não se está além dele. Em todo jogo, há regras e o fair-play. Sobre o homem kabyle**, ou do mundo intelectual, eu empreguei a fórmula: a excelência, na maior pate das sociedades, é a arte de jogar com as regras do jogo, fazendo deste jogo a regra de uma homenagem suprema ao jogo. O transgressor controlado se opõe a tudo o que é herético.
...
A opinião pública é sempre uma espécie de dupla realidade. É tudo o que não se pode invocar quando se quer legitimar algo sobre o terreno não constituído. Quando se diz ' Há uma vida jurídica' (expressão extraordinária) a propósito da eutanásia ou dos bebês de proveta, convoca-se pessoas que vão trabalhar com toda sua autoridade.
Dominique Memmi descreve um comitê de ética [sobre a procriação artificial] com uma composição de membros disparates - psicólogos, sociólogos, mulheres, feministas, arcebispos, rabinos, intelectuais etc - que têm o objetivo comum de transformar uma soma de dialetos éticos em um discurso universal que vai ser compilado num discurso jurídico, ou seja, que vai dar uma solução a um problema difícil que incomoda a sociedade - legalizar as mães de aluguel, por exemplo. Se trabalha-se sobre esse gênero de situação, deve-se evocar uma opinião pública. No contexto, a função nas pesquisas de opinião se compreende muito bem. Dizer "as pesquisas estão conosco" é o equivalente de "Deus está conosco" em um outro contexto.
Em relação à pena de morte, algumas vezes a opinião esclarecida é contra, mas as pesquisas são a favor. O que fazer? Constitui-se uma comissão. A comissão constitui uma opinião pública esclarecida que vai instituir a opinião esclarecida como opinião legítima em nome da opinião pública - que fora diz o contrário ou não pensa nada a respeito. Uma das propriedades da pesquisas de opinião consiste a fazer perguntas às pessoas que elas não se fazem sobre problemas que elas não pensam, é de fazer deslizar respostas a problemas que elas não questionaram, então é uma forma de impor respostas...é o fato de impor a todos questões que se fazem a 'opinião esclarecida' e, deste modo, produzir respostas de todos sobre os problemas que se apresentam a alguns, ou seja, dar respostas esclarecidas que são produzidas pela pergunta: fez-se perguntas às pessoas que não existiam para elas naquele momento, esta é a questão.
...
Percy Schramm mostrou como as cerimônias sagradas eram a transferência, na ordem política, das cerimônias religiosas. Se o ceremonial religioso pode transferir-se também facilmente nas cerimônias políticas através das cerimônias sagradas, é porque se tratam, nos dois casos, de fazer acreditar que há um fundamento no discurso que não aparece como autofundador, legítimo, universal, e porque há a teatralisação - no sentido de evocação mágica de bruxaria - do grupo unido e que consente o discurso que o une. É de onde vem o discurso jurídico. O historiador inglês E.P. Thompson insistiu sobre o papel do teatro jurídico no século XVIII na Inglaterra - as perucas etc - que não pode se compreender totalmente se não se vê que não se trata de simples aparêcia, segundo Pascal, que vinha acrescentar: ele é constitutivo do ato jurídico...Se fala sempre de reformar a linguagem jurídica, sem jamais fazê-lo porque é a última vestimenta: os reis nus não são mais carismáticos.
...
Os escândalos políticos são a crença política de que todo mundo age de má fé, a crença se uma má fé coletiva no sentido sartriano: um jogo no qual todo mundo se mente e mentem a outros sabendo que eles se mentem. É isso, o oficial...
Pierre Bourdieu, Le Monde Diplomatique, janeiro de 2012.
(tradução livre)
*texto extraído de Sur l'État. Cours au Collège de France, 1989-1992, Raisons d'agir. Seuil, Paris, 2012.
**kabyle: Nascido na região kabyle na Argélia, norte da África. (Région de l'Algérie, Pays du Maghreb, dans le bassin méditérranean)
La fabrique des débats publics*

Le Monde Diplomatique a publié ce mois-ci (janvier 2012) le texte du sociologue Pierre Bordieu dans le cours sur l'État donné en 1990 au Collège de France. Bourdieu démontre que d'une cotê on a une situation économique et sociale inouï, de l'autre, un débat public mutilé, réduit à une alternative entre austerité de droite et rigueur de gauche. L'auteur démontre comment une opinion d'une minorité se transforme en "opinion publique". Lisez le texte complet en français.
*Source: Le Monde Diplomatique.
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Sábado, Novembro 05, 2011
Olhos da alma

Minha janela já não é a mesma
Não vejo mais a mesma paisagem
Longe está a janela de minh'alma
Cinza é tudo o que vejo diante dos olhos
Mas basta abrir os olhos do coração
Lá estão as cores
os raios de sol
Em mim encontro minhas alegrias
vividas em torno de todos os dias
Cada dia de minha vida
Até mesmo aqueles que ainda estão por vir
As cores não estão na janela
Estão em mim
E as guardo muito bem
São meu maior tesouro
As cores habitam meu coração
Mesmo quando chove e faz frio
Meu jardim é sempre florido
Mesmo que o outono leve todas as folhas
Minha janela não é mais a mesma
Mas restou-me eu mesma
Restou-me tudo o que fiz de meus dias
Restou-me tudo o que ainda tenho para viver
Gosto de que vejo pela janela dos meus olhos
Porque através deles reflito as cores de meu coração
E esse, meus amigos, é o mesmo desde sempre
Conforto
Tenho-me a mim
E nunca me abandonei
Ainda que me faltem todas as coisas
Todas as pessoas
Tenho-me a mim
E pertencer-se a si é de uma liberdade imensa
De uma felicidade que nada pode apagar.
Marselha. 05/11/2011
Foto: Eva Maués
Terça-feira, Outubro 11, 2011
Girassol

O calor do sol
atrai a flor
olhares
canções
Ter dias de sol
em Provence
É sentir o coração aquecer-se
Nada do frio do norte
O sul resplandece em cores, mar e luz
Exuberante como as flores de girassol
Dias alegres
Boas e quentes risadas
Raios de sol que douram os cabelos
E incandescem as pétalas da flor
Dias que aos poucos se tornam curtos
Até o inverno passar
E o sol brilhar oura vez
Foto: Eva Maués
Sexta-feira, Setembro 23, 2011
Máquina de fazer dinheiro

Uma pesquisa conduzida pela MAcAfee em 17 países com 1055 empreendedores dos setores público e privado concluiu que mais de 90% das empresas no Brasil estão presentes no Facebook ou Twitter. Somente Espanha e Índia tiveram resultados semelhantes, os demais países ficaram com a média de resultado de 75%.
De cada quatro empresas, três admitem que ganham dinheiro com isso. No Brasil, são nove entre dez delas. Para ter uma idéia do que isso representa, o lucro do Facebook em 2010 somente com as pequenas e médias empresas foi superior a 1,8 bilhões de reais, algo em torno de 7,8 milhões de euros. A previsão para 2011 é de que esse resultado possa dobrar.
Se por um lado, as empresas admitem que ganham dinheiro marcando presença nas redes sociais, a relação ainda é esquisita. No Brasil, Japão e Alemanha, um terço das empresas não admite que seus funcionários acessem s redes sociais no horário de trabalho. A explicação ainda é a suposta queda de produtividade.
Segundo o jornal El Clarín, entre 50 empresas no Facebook, as sete primeiras são, respectivamente, Coca-Cola, Starbucks, Disney, Victoria’s secret, iTunes, Vitaminwater e YouTube. Os critérios de escolha foram baseados no número de fãs (mais de 200 mil), atualização do perfil, promoções e outros.
O Facebook tem hoje 500 milhões de membros, ou seja, o mesmo número de pessoas que a comunidade européia. Os facebookers franceses chegam a 19 milhões de pessoas.
Fontes :El Clarín, O Estado de São Paulo, Economia e Negócios, BBC.uk
Quarta-feira, Setembro 21, 2011
L'éxistence

"C'est vivre et cesser de vivre qui sont des solutions imaginaires. L'éxistence est ailleurs" ( Andre Breton)
E por que confinar a existência no breve momento entre o nascer e o morrer? Dois momentos pontuais e absolutos no universo maior e muito mais inexplicavel que é a existência.
Existimos antes mesmo da vida na filosofia cristã e, para esta, até mesmo depois da morte. Mas o que é a existência senão também todo o conjunto de idéias e concepções acerca de tudo o que um dia seremos, antes mesmo de virmos ao mundo? A existência é também perpetuar-se nas ideias deixadas, nas lembranças que ficam, nos descendentes...
Se é pra enveredar pela metafisica ou filosofia, é pura escolha, de tentar explicar o que cada um traduz da existência propria ou alheia.
E simplesmente ainda nos chocamos com a constataçao de quão fragil é a vida quando alguém deixa de existir em matéria.
"Tudo que é solido desmancha no ar", mas o não palpavel torna-se concreto mesmo na substancialidade.
Comunicar é mais que necessidade, é ato, fato, e é impossivel não fazê-lo, ja dizia Dominique Wolton. Comunicar é substancial, e é substancial existir. Uma necessidade vital, logo existencial.
Penso, logo existo. Mas existir é mais que racionalizar.
l'existence, mes amis, c'est ailleurs!
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Para que servem os amigos?

Os amigos são aqueles que aparecem em nossas vidas nos momentos mais inesperados, e com uma simples palavra nos dão a força necessária para seguir em frente.
Amigos são aqueles que sabem nos dizer a verdade sem ser cruéis, que sabem de nossas fraquezas e defeitos e nem por isso se valem deles para nos humilhar.
Amigos são aqueles que estão conosco apesar de tudo, são aqueles que podem estar até em outro continente, mas que tornam a vida mais leve e mais fácil de ser vivida.
Amigos são aqueles que entram em nosso coração com um sorriso e enxugam nossas lágrimas com uma palavra, são aqueles que nos mostram a coisa certa a fazer, mesmo que as dificuldades nos digam que é impossível prosseguir.
Amigos são amigos e ponto.
Amigos são nossa força, são a família que tivemos a sorte de poder escolher.
Mas, para que servem mesmo os amigos?
Ah, eles servem para aquecer noso coração nos dias frios, para trocar ideias, para dar boas risadas ou chorar junto. Amigos são indispensáveis e vitais. Amigos são nossa força.
Quarta-feira, Junho 29, 2011
Otages français libérés

Les otages français Ghesquière et Taponier sont libérés aprés un an et demi de captivé en Afghanistan. Lire la suite.
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Quinta-feira, Junho 23, 2011
Morte no campo
No Pará, número de mortes no campo era maior no governo PSDB. A notícia divulgado por Fábio Castro em seu blog Hupomnemata mostra que durante o governo Ana Júlia o número de mortes reduziu.
Dados da Ouvidoria Agrária.
Jatene, vai trabalhar!
Dados da Ouvidoria Agrária.
Jatene, vai trabalhar!
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